Voe, Anitta

Vamos falar da Anitta?
Essa mina é porreta. Veio da periferia do Rio de Janeiro e sempre foi determinada. Desde cedo já sabia o que queria e aonde queria ir.
Ía ao baile funk com a missão de aparecer e ser notada. Depois virou repórter da Furacão 2000 e, em seguida, cantora.
Ela já disse que abriu mão de muita coisa para realizar os seus sonhos. Ralou um tantão. Trabalhou um tantão.
Aos 15 anos, era professora de dança de salão e depois virou vendedora de roupa para ajudar nas despesas da família.
Ela buscou sua independência igual a muitas mulheres. Batalhou, sem esquecer o sonho de se tornar uma cantora de sucesso.
Quem pensou que ela seria famosa por um hit só, com o Show Das Poderosas, se enganou. Nós nos enganamos. Ela emendou sucesso atrás de sucesso.
Fez diversas plásticas. Virou motivo de chacota. Se tornou piada na internet.
Assumiu todas as cirurgias. Não ligou para as críticas e fez mais intervenções cirúrgicas.
Foi em uma premiação de TV com curativo no nariz. Foda-se. Ela não ia perder o prêmio que ganhou.
Agora, Anitta tenta carreira internacional. Tá colocando a cara pra bater. Mesmo com exemplos fracassados que tentaram bombar lá fora, como Ivetão, Claudia Leitte e Sandy & Jr.
Mas Anitta vai. Batalha, tenta, se expõe para milhões de espectadores. E se já é foda pra gente tentar algo, imagina para ela que tem torcida para o sucesso e o fracasso?
Ela se mostra Ela trabalha. Ela se desafia. Ela já disse: "Superar o outro é muito fácil. Superar a si próprio que é dificil. Sempre que conquisto alguma coisa, eu penso, qual é o próximo passo. Se amanhã, eu consigo o que eu queria hoje, eu já quero outra coisa. É o grande desafio da vida e eu gosto bastante disso".
Anitta incomoda porque veio do funk, é do funk, é dona da própria liberdade e rebola a bunda.
E QUE BUNDA!
E mais que rebolar, Anitta incomoda porque ela tenta. Ela sonha alto. E TENTA. TENTA. E CONSEGUE.
Anitta é mulher que inspira.
E eu pago pau pras minas que surgem no funk. Leia, por exemplo, a biografia da Valesca Popozuda. São histórias de mulheres iguais as outras que passaram por violência, rejeição, dificuldades e mesmo assim não desistiram.
Tem que ser MUITO mulher pra rebolar a bunda em frente a uma plateia machista, em uma sociedade que grita por misoginia.
Anitta, Valescão e talvez você, mulher, que tá lendo esse textão, vocês são parecidas, são guerreiras, empoderadas e poderosas. O que muda é a profissão, as oportunidades e as escolhas individuais.
Voe, Anittão. Continue rebolando, ralando, tentando, se expondo e inspirando outras meninas.
E coitado de quem pensou que você só ia rebolar a bunda na noite anterior.





















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